
Diferentemente dos Estados Unidos que comemoram o Ano Novo, o Dia de Ação de Graças e o 4 de julho, no Brasil só temos uma queima de fogos e ainda assim como as chuvas de inverno: apenas em pontos isolados. Dizem que o maior Reveillon do mundo é o de Copacabana e somente na Rocinha há mais pipocos e rojões.
O ano de 2009 é o penúltimo da década - o que me provoca tremuliços - e promete ser o penúltimo de muita gente. Estima-se que a fome e o Fome Zero, a Suzana Vieira e Santa Catarina não existam até o fim da década se as coisas continuarem nesse pé. Prevê-se também que a Dutra desapareça, já que São Paulo e Rio crescerão tanto, impulsionados pelos shows da Madonna que eles se dêem às mãos finalmente, como na pintura de Michelangelo. A desvantagem é que um tiro disparado em Ipanema pode implicar numa bala perdida, tanto na Lapa de lá ou quanto na Lapa de cá.
É bem possível que o Ronaldinho marque gols, dissolvendo a crise econômica mundial, ao demonstrar o pleno trunfo dos cartolas do futebol brasileiro, o que significaria a valorização do Real frente ao Euro e uma pontada de inveja no real Madrid.
Provavelmente a China se torne a nação mais poderosa do mundo, ou pelo menos a mais poluidora, o que seria uma tragédia, não pela emissão mortal de carbono, mas pela falta de escolas de mandarim no mundo. O Obama falaria e ninguém o ouviria, e como seu antecessor, usaria de métodos mais hostis e bombásticos pra suprir sua carência, e não seria no Iraque. Acho que a Carla Bruni posa nua novamente, já que a França sempre foi liberal e lá o presidente come muito bem.
Mas antes, muito antes de tentar qualquer incursão na língua Chinesa, ou uma viagem proveitosa nos ensaios eróticos em francês será preciso reconquistar aquilo que pensávamos que tínhamos pleno domínio: o português. As novas regras ortográficas vêm para destituir nossa soberania como nação e quem sabe nossa tirania como brasileiros. Nunca mais estaremos convictos de um acento, da irmandande de dois “erres” ou da procedência de um hífen; salvo a crase, que se mantém intacta como a corrupção em Brasília. É a obsolência da Era da Imprensa, de Guttemberg, já que tudo o que se imprimiu até hoje será anulado e precisará ser reeditado, causando calos e tendinite nos letrados, de uma forma geral e a final aceitação que desconhecemos nosso idioma e somos um país de analfabetos. Talvez a Igreja intervenha e queime os livros de uma língua lusitana retrograda e profana junto com as bruxas. Talvez queimem só as bruxas e as profanas.
Por precaução, em 2009, guardarei meus versos arcaicos de Bilac e as fotos ousadas da Primeira Dama sob a cama.
P.S.: O Ano de 2008 foi do Escorpião e do Escorpião somente. Tatuado na barriga e no coração.
O ano de 2009 é o penúltimo da década - o que me provoca tremuliços - e promete ser o penúltimo de muita gente. Estima-se que a fome e o Fome Zero, a Suzana Vieira e Santa Catarina não existam até o fim da década se as coisas continuarem nesse pé. Prevê-se também que a Dutra desapareça, já que São Paulo e Rio crescerão tanto, impulsionados pelos shows da Madonna que eles se dêem às mãos finalmente, como na pintura de Michelangelo. A desvantagem é que um tiro disparado em Ipanema pode implicar numa bala perdida, tanto na Lapa de lá ou quanto na Lapa de cá.
É bem possível que o Ronaldinho marque gols, dissolvendo a crise econômica mundial, ao demonstrar o pleno trunfo dos cartolas do futebol brasileiro, o que significaria a valorização do Real frente ao Euro e uma pontada de inveja no real Madrid.
Provavelmente a China se torne a nação mais poderosa do mundo, ou pelo menos a mais poluidora, o que seria uma tragédia, não pela emissão mortal de carbono, mas pela falta de escolas de mandarim no mundo. O Obama falaria e ninguém o ouviria, e como seu antecessor, usaria de métodos mais hostis e bombásticos pra suprir sua carência, e não seria no Iraque. Acho que a Carla Bruni posa nua novamente, já que a França sempre foi liberal e lá o presidente come muito bem.
Mas antes, muito antes de tentar qualquer incursão na língua Chinesa, ou uma viagem proveitosa nos ensaios eróticos em francês será preciso reconquistar aquilo que pensávamos que tínhamos pleno domínio: o português. As novas regras ortográficas vêm para destituir nossa soberania como nação e quem sabe nossa tirania como brasileiros. Nunca mais estaremos convictos de um acento, da irmandande de dois “erres” ou da procedência de um hífen; salvo a crase, que se mantém intacta como a corrupção em Brasília. É a obsolência da Era da Imprensa, de Guttemberg, já que tudo o que se imprimiu até hoje será anulado e precisará ser reeditado, causando calos e tendinite nos letrados, de uma forma geral e a final aceitação que desconhecemos nosso idioma e somos um país de analfabetos. Talvez a Igreja intervenha e queime os livros de uma língua lusitana retrograda e profana junto com as bruxas. Talvez queimem só as bruxas e as profanas.
Por precaução, em 2009, guardarei meus versos arcaicos de Bilac e as fotos ousadas da Primeira Dama sob a cama.
P.S.: O Ano de 2008 foi do Escorpião e do Escorpião somente. Tatuado na barriga e no coração.